23.12.12

Escrivaninha - A transformação


Por mais que eu planeje um trabalho é comum mudar de idéia no meio do caminho. Problemas de uma mente geminiana criativa:-) 

Minha história com a escrivaninha cinquentenária da Dani, que também é geminiana, começa com uma simples restauração e termina como um verdadeiro extreme makeover! A dona queria apenas adequar o móvel velhinho e machucado pelo tempo ao ambiente colorido do quarto de hóspedes do seu ap. Com espaço interno e generosos gavetões, a peça merecia mesmo uma repaginada para seguir mais alguns anos decorando a casa da Dani. 


Comecei pela desmontagem. Gavetas para um lado, porta para outro, puxadores quebrados no lixo, dobradiças e fechadura retirados. E foi partir para a parte dolorosa: lixar! Foi um dia inteirinho só dedicado a estas tarefas iniciais. O móvel é todo recoberto com folha (ou lâmina) de madeira, que estava bem danificada em alguns pontos. Nesse momento pintou a primeira dúvida: descolar as folhas todas e poupar tempo e braço na lixagem ou mandar brasa na lixa para retirar o verniz e na massa corrida para corrigir as imperfeições? A parte interna da porta estava quase toda solta, não tinha como corrigir com a massa porque as lascas eram muitas e muito largas. Com uma espátula soltei o que restava da folha e me deparei com uma madeira nada polida. Não consegui escapar da lixa, mas pelo menos a massa corrida tampou as imperfeições numa boa. Outro pedaço que não deu para salvar foi a parte de cima. 

Quando se arranca uma folha de madeira é preciso lixar bem para retirar o restante da cola que fica na madeira e deixá-la lisinha. Normalmente as folhas de madeira escondem pregos, pequenos buracos de encaixe e junções do próprio móvel. Esses são os pontos que precisam ser disfarçados com massa corrida antes de pintar. A massa depois de seca faz as vezes da folha e deixa o acabamento perfeitinho. Na parte externa da porta tinha uma lasca também perto da fechadura. Optei preencher com massa de madeira ao invés de me arriscar a retirar toda a folha. Como a porta é "a cara" no móvel achei melhor não retirar toda a folha, imagina se tem uma madeira daquelas bem rudes por baixo? 

Depois de lixado foi seguir as etapas da limpeza, pintura base, correção de imperfeições e finalmente pintar com o lindo laranjão escolhido pela dona. E foi quando tudo começou a ficar lindo e novo que veio a idéia de trabalhar a parte interna. Sugeri a forração com tecido. Com aquele laranja todo por fora a madeira dentro ficaria até avexada! Vamos lá descobrir um tecido "mara" para animar essas gavetas. Visitei várias lojas até dar de cara com o listrado mais bacana do quarteirão.



E assim começou a segunda etapa do trabalho. Limpar bem as gavetas, a parte interna e a prateleirinha que fica dentro do móvel. Passar cola branca e tascar o pano. Ô fase gostosa! Depois mais umas pinceladas de cola e goma laca por cima para fechar os trabalhos de forração. 


E os puxadores? Pecado deixar tudo lindo com puxadores velhos e previsíveis. Aqueles bacanésimos com cristais, porcelanas ou coisinhas fofas custam caríssimo. Com o orçamento já estourado optei pelos simples de R$1,80 e fui para casa forrá-los com tecido. Ficaram mais fofos que os carésimos industrializados;-P



Não vou mentir, deu trabalho! Muito trabalho! Mas o resultado foi tão satisfatório que valeu cada minuto do prazo e orçamento estourados que dei para a Dani. Sorte minha que meus clientes acabam virando meus cúmplices na hora de fazer arte;-)

Um comentário:

Priscila Gambarra ™ → disse...

A escrivaninha ficou mto bacana, Andréa. Parabéns!!!